Tuesday, March 17, 2009

Filmaço

Que grande filme, cru, verdadeiro, com sangue e suor genuínos, não há fingimentos (o que é irónico tendo em conta que fala de um desporto que assenta nesse fingimento). Há muito tempo que não sentia tanta empatia com uma personagem como com este Randy the Ram, alguém fragilizado que tenta encontrar um espaço fora dos ringues mas que é empurrado para lá. Espantoso Mickey Rourke. Lembrei-me de autopsicografia assim de repente...



e a música de Bruce Springsteen nos créditos finais... Que filme.
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Wednesday, March 11, 2009

Filmes, filmes e mais filmes

Tenho andado nos últimos tempos a gastar cada segundo do meu tempo livre a ver filmes. Vi muitos dos filmes presentes na gala dos oscars e vi também outros que estavam na minha shortlist há algum tempo.
Primeiro que tudo, e porque a quantidade não é qualidade, apenas dois deles me encheram as medidas: Slumdog Millionaire e The Curious Case of Benjamin Button. Dois triunfos, o primeiro por contar uma história simples recorrendo apenas a um excelente argumento, montagem e realização. É um filme notável que entusiasma, a empatia com o trio de personagens é imediata também por culpa da direcção de actores que consegue extrair dos três miúdos o necessário para que isso aconteça. No filme de David Fincher há também um excelente trabalho em relação ao argumento, pegaram numa short story e criaram material suficiente para um filme memorável com uma interpretação prodigiosa de Brad Pitt. Pode não ser um actor como Sean Penn, mas escolhe magnificamente os papéis que representa.
De entre os filmes nomeados, a maior desilusão foi Revolutionary Road. Talvez não o tenha visto com o estado de espírito necessário para o apreciar. Na minha opinião há história, trabalho de actores e uma excelente e contida realização, no entanto, não me cativou.
Já vi Choke e, como acontece quase sempre com adaptações, o livro é imensamente superior. É uma comédia banal, demasiado escatológica. Não que o livro não falasse desses temas, a abordagem é que me parece diferente e desajustada.
Maradona by Kusturica emocionou-me. Gosto de Maradona genuinamente e foi para mim um encanto ver alguém que gosta de futebol mas também se interessa pelo mundo que o rodeia acompanhá-lo e mostrar estas facetas do maior jogador de futebol do mundo.
A surpresa foi Knocked Up. Esperava uma comédia ligeira mas encontrei um grande filme sobre o amadurecimento e o medo de assumir responsabilidades. Esta trupe composta por Judd Apatow, Seth Rogen, Paul Rudd e Jason Segel (jutamente com o comparsa James Franco) começa a tornar-se um caso sério e constitui um novo fôlego na comédia. Tenho-os seguido desde a série Freaks and Geeks que por cá passou na SIC Radical. Ver também Pineapple Express que também é produzido por Apatow (e que em Portugal passou directamente para o mercado DVD) e The 40 Year Old Virgin que o mesmo realiza.

Muitos mais há para ver (The Wrestler, Gran Torino...), vou mantendo notícias.
Ainda não me tinha pronunciado sobre a festa dos Oscares da Academia. Primeiro deixar uma salva de palmas a Hugh Jackman, o sucesso da cerimónia passa em parte pelo talento que demonstrou como anfitrião.

De seguida vamos ver se as minhas previsões se verificaram:

Comecemos pelas más notícias, não consegui adivinhar o vencedor do prémio para o melhor actor. Sabia à partida que era renhido entre Mickey Rourke e Sean Penn mas estava mais inclinado para o primeiro. Também nunca na vida esperaria que Penelope Cruz vencesse na categoria de Melhor Secundária mas, a partir daqui, um mar de rosas. Slumdog Millionaire, venceu oito galardões e os prémios para melhor actriz e actor secundário foram entregues a quem eu tinha esperado. Foi uma boa noite, com pouco descanso mas muito entusiasmo e riso, em especial com esta apresentação das comédias de 2008:

Friday, February 13, 2009

Ando a ler



Diary de Chuck Palahniuk (o que eu gosto deste tipo)

É um dos autores dos nossos dias. Atingiu o conhecimento do grande público (no qual me incluo) com a adapatação do seu romance Fight Club ao cinema por David Fincher (o mesmo que realizou The Curious Case of Benjamin Button). Este ainda agora comecei mas parece-me ter uma linguagem mais poética do que Lullaby ou Choke.

O outro livro que ano a ler (isto de ler dois livros ao mesmo tempo é uma novidade para mim...) é Ecstasy de Irvine Welsh. Tanto Welsh como Palahniuk, têm em comum o facto de se terem tornado mais conhecidos pela adapatação de romances seus ao grande ecrã, no caso de Welsh Trainspotting de Danny Boyle (o mesmo que realiza Slumdog Millionaire). Apercebi-me, mesmo agora enquanto escrevo, da coincidência que constitui o facto de estes dois realizadores que adaptam livros de autores que estou a ler estarem, este ano, em competição na cerimónia dos oscar com dois dos melhores filmes que vi em muito tempo (mas isso são contas de outro post).
Ecstasy é um livro de contos que não foge ao estilo de Welsh. Centra-se em comunidades que pertencem a culturas muito específicas, no caso do primeiro conto (que quase dava um romance) um conjunto de pessoas fãs de música electrónica. Também é extremamente divertido e invulgar que é o que se procura quando se passa dias inteiros a ler histórias de vidas no trabalho.

Friday, January 23, 2009

Oscars

Ouvi ontem pelo caminho as nomeações para os Oscar da Academy of Motion Picture Arts and Sciences. Ainda que não tenha visto muito dos filmes não posso deixar de ter alguns favoritos, não que pense que sejam os que têm mais hipóteses, mas aquele que gostaria de ver a receber a estatueta dourada.

Melhor Actor

Há muita competição, qualquer um tem boas hipóteses. Gostaria que fosse entregue a Sean Penn, um actor que admiro e que, como homem, também é uma pessoa interessada pelo que se passa no mundo em que vive. Prova disso é a sua personagem em Milk. Também não ficava nada chateado se o entregassem a Mickey Rourke por The Wrestler pelo factor surpresa que constitui este regresso improvável de Rourke.
Melhor Actriz











Este prémio dificilmente deverá fugir a Kate Winslet que, recorde-se, venceu também o Globo de Ouro. É uma actriz magnífica embora nesta categoria, por vezes aconteçam surpresas.

Actor Secundário


Heath Ledger merece este Oscar a título póstumo e acredito que o venceria mesmo se estivess vivo. Este Joker vai entrar directamente para a nossa consciencia colectiva como uma das grandes figuras da cultura pop. Convém não esquecer que é um filme de super heróis, o que poderá acarretar algum preconceito por parte dos membros mais conservadores da Academia. Para esses pergunto: "Why so serious?"
Actriz Secundária
Aqui é como no totoloto. Não simpatizo muito com Penélope Cruz porque acho que uma actriz deveria ser capaz de fazer convincentemente qualquer personagem. Ela é um pouco limitada. É bonita, isso é verdade, mas nunca poderá fazer outra personagem que não uma latina e aquele sotaque quando fala Inglês dá-me cabo dos nervos. Aposto em Amy Adams. Porquê? Por muitas razões, principalmente porque sim.
Finalmente, porque me vou restringir apenas às categorias principais, deixo aqui as minhas previsões optimistas (tradução foleira de "wishful thinking") em relação aos galardões de Melhor Filme e Realizador. Aposto tudo num cavalo. Danny Boyle e o seu Slumdog Millionaire. Por outro lado, não me surpreenderia se a Academia decidisse premiar Milk ou mesmo o The Curious Case of Benjamin Button. Entre estes dois últimos preferia que vencesse o segundo que é de um dos meus realizadores favoritos da actualidade, David Fincher.
A vantagem de fazer isto com esta antecedência é só que, daqui a um mês, se eu falhar ninguém se recorda. Se eu acertar vou recordar toda a gente. Já está marcado na minha agenda: dia 23 de Fevereiro- dia livre para recuperar as horas de sono perdidas na madrugada anterior.

Radiohead



Uma excelente música e um video com mensagem.

Monday, January 12, 2009

Mr. Danny Boyle

O grande vencedor dos Globos de Ouro foi um senhor a quem eu venho chamando de Novo Kubrick: Danny Boyle que venceu os prémios para melhor realizador e melhor filme dramático pelo seu mais recente trabalho, Slumdog Millionaire.
Mas não o digo por ter ganho estes prémios, digo-o pela versatilidade. Kubrick realizava de modo brilhante filmes de ficção científica, guerra, comédia, épicos de época, etc, sem que o génio esvanecesse ao sabor do género que filmava. Penso que o mesmo acontece com Danny Boyle, que tem feito de tudo e de tudo tem feito bem. Fez e bem ficção científica com Sunshine, fez comédia com Millions, Terror com 28 Days Later, drama com The Beach e tem como sua obra prima, pelo menos até à estreia de Slumdog Millionaire, o magnífico Trainspotting. Aqui fica o trailer do seu mais recente e premiado filme.
Vi no youtube (onde mais poderia ser?), por acaso, estes dois videos com músicas dos Arcade Fire. Acontece que o video pertence a dois grandes filmes e isso transpira em cada imagem que aqui surge, mesmo que a banda sonora que os acompanha tenha sido escrita anos depois e sem pensar nas imagens.
No primeiro video, a música é My Body is a Cage e o filme é o ponto de climax do épico de Sergio Leone, Once Upon a Time in the West. No segundo, a música é Intervention e o filme O Encouraçado Potemkin de Sergei Eisenstein. Espero que gostem tanto como eu, mesmo que não sejam apreciadores dos Arcade Fire.



Friday, December 19, 2008

Killers Overdose II & III





Uma versão belíssima dos Dire Straits e uma excelente colaboração com o mestre Lou Reed. É o chamado post dois em um.

Friday, November 28, 2008

Para o fim de semana grande numero uno

A música que tem bombado em grande nas minhas viagens de carro. São a minha banda favorita do momento. Para ouvir no máximo do volume. The Killers, Human

Bom fim de semana grande numero uno! Para a semana temos o numero dos.

Mundo Catita

Quem não votaria em Manuel João Vieira para Presidente? Muita gente de certeza, mas isso não vem agora a propósito. Estreou na semana passada na RTP2, a mini-série Mundo Catita centrada na biografia do Candidato Vieira. Há duas semanas, mostraram um making off que demonstra que este é um labour of love dos envolvidos. Recomendo que vejam, é algo fora do comum e muito acima dos patamares habituais da ficção portuguesa. Fica aqui o trailer. Dá domingo à noite às 23h55 a seguir àquele programa cultural pretensioso com a apresentadora mais cheia de si da televisão portuguesa.

Sugestão da Semana



Grande trailer do filme de Darren Aronofsky protagonizado por um aparentemente ressuscitado Mickey Rourke. Atenção à música brilhante do Bruce Springsteen. Vou ver este fim de semana, depois logo digo qualquer coisa.

Tuesday, November 18, 2008

Eu só queria dizer uma coisa:





Obrigado Fernando Meirelles, obrigado Julianne Moore, obrigado Mark Ruffalo, obrigado Gael Garcia Bernal, obrigado Alice Braga, obrigado Danny Glover, obrigado até ao cão das lágrimas. São escusados os agradecimentos ao camarada José Saramago. É daqueles filmes sobre os quais tenho tanto para dizer mas que o essencial é ordenar-vos que o vejam. Apenas algumas palavras para a escolha de um elenco multi étnico que ajuda a situar o filme em local nenhum, como se o mundo fosse um sítio sem fronteiras e no qual os poucos limites existentes, vão sendo destruídos como se nunca tivessem lá estado.

É talvez a adaptação mais fiel ao cinema de uma obra literária e que consegue a virtude de ser um grandioso filme. Quase tão grandioso como aquele que é, quanto a mim, o maior romance alguma vez escrito! É um filme violento e cru como também o é o romance. Destaco ainda a presença de Julianne Moore que é quem nos guia também a nós durante o filme e nos devolve a esperança com a sua humanidade imperfeita. VEJAM!!

Wednesday, October 29, 2008

Choke/Asfixia de Chuck Palahniuk

Primeiro de tudo, quero aproveitar para saudar o regresso da revista Premiere, uma publicação que é, para mim, uma referência em Portugal na área do cinema. Digo isto, principalmente para alertar a malta que ainda não se tinha apercebido que voltou às bancas.
Mas a razão pela qual escrevo este post é Choke (Asfixia em Portugal) que adapta para o grande ecrã (esta expressão é um clássico e nunca fica mal) o romance de Chuck Palahniuk, o segundo a ser alvo deste previlégio após o sucesso de Fight Club. Aqui está o trailer:

Friday, October 17, 2008

Menomena, Evil Bee


Grande video. Sugerido pelo açoriano.

Thursday, October 16, 2008

Sobre Robert Wilson


O gosto pelo policial corre-me no sangue. O meu pai sempre foi grande amante deste género, tinha praticamente a colecção Vampiro completa e foi dentro deste género que fiz as minhas primeiras leituras juntamente com os clássicos de Júlio Verne. Entretanto, este gosto foi desaparecendo até descobrir Robert Wilson. Escreve romances policiais extraordinários. Comecei por ler O Cego de Sevilha centrado na personagem Javier Falcon. Este é o primeiro de uma trilogia juntamente com os títulos As Mãos Desaparecidas e Assassinos Escondidos. Depois li A Companhia de Estranhos romance de espionagem ambiantado na II Grande Guerra e na Guerra Fria. Finalmente, li o seu primeiro romance editado em Portugal- Último Acto em Lisboa. É um romance fantástico com duas linhas de narrativa que se cruzam de forma magnífica e com um twist final arrebatador (e como eu gosto de um bom twist final). Aconselho a quem se quer divertir com a visão do povo português pelos olhos de um Inglês e a quem procura uma boa história. Fala de muitos fantasmas portugueses com o desprendimento apenas possível a quem nos vê de fora: a perseguição política, a forma como Salazar conseguiu fazer de Portugal um país relativamente próspero com o ouro nazi, a PIDE, a tortura política e, principalmente, a forma como, muitos anos após o 25 de Abril, tudo isto ainda nos perseguia. Constrói personagens fortes que parecem seguir um caminho independente daquele que o autor lhes traçou, um caminho de busca de vingança a todo o custo e que, em última análise levará à auto-destruição. Muito bom!!! Descubram-no.

Sunday, September 07, 2008

Já se acabou o que era doce...

Já se acabaram as férias, já há quase 15 dias... mas só agora há vagar para escrever aqui novidades. Novo emprego, mais responsabilidades mas também mais estabilidade. Muito trabalho, muitas horas ao volante, nova casa, quase vida nova.
Nas férias foi muito bom: ler, dormir, comer, apanhar sol, ir à bola...
Gostei muito de aproveitar este período para ler. Como se diz "por a leitura em dia" mas li algumas coisas sem "chocolate", "segredo", "código", etc no título. Li dois romances de Chuck Palahniuk de que gostei muito Asfixia e Lullaby. Li também Memórias de um Louco de Flaubert de que gostei pouco. Por estes três livros, paguei, na Oficina do Livro, 11 €. Nada mau. Li também O Enigma de Paris, do argentino Pablo de Santis que me ofereceram no meu aniversário. De seguida foi A Trilogia de Nova Iorque de Paul Auster. E, para finalizar estas férias de descanso, O Prestígio de Christopher Priest (que Christopher Nolan adaptou ao cinema) que me fez continuar com a minha obsessão com o ilusionismo que iniciei depois deste outro filme: