Thursday, May 11, 2006

Quero ver isto já



Já está disponível na internet há algum tempo o trailer do novo filme de Michael Night Shyamalan- Lady in the Water (vejam!!! é só clicarem na hiperligação). É um trailer absolutamente magnífico, e se o filme estiver à altura deste aperitivo será um belo filme. E o raio do trailer deixou-me mesmo muito ansioso. Parece que desta vez o argumento não terá nenhum dos twists habituais (e memoráveis, especialmente o de "Sixth Sense") e conta com Paul Giamatti (sideways) e Bryce Dallas Howard (The Village) nos principais papéis.

A ver, quanto mais não seja para confirmar o talento de Shyamalan para a escrita e realização.

Monday, May 01, 2006

E para acabar com os posts políticos...


Aqui há uns tempos interessei-me por um post que li aqui e agora depois de ter colaborado numa exposição onde havia algum material de propaganda soviético apercebi-me da sua extraordinária complexidade e alguma beleza (pelo menos para mim) . Veja-se o exemplo deste cartaz:

Três Espadas libertam dos grilhões a prisioneira Europa, uma espada americana e uma espada britânica pelo oeste e do este uma espada soviética. Mas o pormenor mais delicioso é apenas observado depois de uma segunda ou terceira análise: o sangue ou ferrugem na ponta das espadas. A do Reino Unido ligeiramente suja, a dos Estados Unidos já muito conspuracada enquanto que imaculada surge á esquerda a da URSS. E há muitos mais exemplos, embora infelizmente não sejam muito fáceis de encontrar.

Mais um post político


No dia 30 de Abril de 1945, Adolf Hitler pôs termo à sua vida suicidando-se com um tiro na cabeça.


Se é seu seguidor, visível ou encapotado, só lhe posso desejar que, em obdiência ao seu mentor, lhe siga o exemplo.

Tuesday, April 25, 2006



Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen



O meu feriado preferido! Viva o 25 de Abril!

Wednesday, April 12, 2006

Ontem vi:


Walk the Line

A história da vida do músico Johnny Cash. E é uma história interessante de se ver num ecrã de cinema. Às tantas no meio de American Poet de James Douglas Morrison (aka Jim Morrison) ouve-se a pergunta: "did you have a good life when you die? Enough to base a movie on?". Johnny Cash poderia ter respondido que sim, pelo menos é a ideia com que se fica depois de se ver o filme de James Mangold realizador de curriculo ainda pouco preenchido de onde se destaca Cop Land de 1997 com Stallone, de Niro e Harvey Keitel. O filme retrata a vida de Johnny Cash (o grande Joaquin Phoenix cada vez mais um dos meus actores preferidos)até ao estrelato e ao seu casamento com June Carter (Reese Witherspoon que venceu o óscar de melhor secundária com este papel). Parece-me haver momentos muito bem escritos e filmados, a sequência inicial na prisão seguida da analepse que nos remete para a sua infância marcada pelo trauma da morte do irmão que o levou a culpar-se toda a vida e pela relação problemática com o pai (Robert Patrick).
Também merecem destaque os dotes vocais dos actores que interpretam os temas muito meritoriamente.
Para descobrir a música de Johnny Cash sem preconceitos contra a música country.

Tuesday, April 04, 2006

Ontem vi...


... e até me arrepiei.

é verdade que Alan Moore, o criador da BD é também responsável pelas graphic novels que dão origens a desastres como League of Extraordinary Gentlemen e From Hell.
é verdade que o próprio Alan Moore não terá ido lá muito à bola com o filme (diz-se que discorda do timing) até porque nos créditos apenas se menciona que o filme é inspirado numa graphic novel ilustrada por David Lloyd.
mas é um bom filme com bons desempenhos, a voz de Hugo Weaving está absolutamente adequada (confere alma à máscara) e a Natalie Portman convenceu-me definitivamente de que é uma grande actriz.


adoro quando de uma boa banda desenhada fazem um bom filme!

Monday, March 20, 2006

A fragância da tua ausência paira entre os ramos da nespereira
Frutos vazios de sabor na Luz ténue da tarde
Na hora do sol morto que ilumina aquilo que foi.
O que é, escapa por entre os dedos finos que não vejo tocar-me.

Where My Books go

All the words that I utter,
And all the words that I write,
Must spread out their wings untiring,
And never rest in their flight,

Till they come where your sad, sad heart is,
And sing to you in the night,
Beyond where the waters are moving,
Storm-darken'd or starry bright.

William Butler Yeats

Sunday, March 19, 2006

Blake outra vez

The Angel
I dreamt a dream! What can it mean?
And that I was a maiden Queen
Guarded by an Angel mild:

Witless woe was ne'er beguiled!

And I wept both night and day,
And he wiped my tears away;
And I wept both day and night,
And hid from him my heart's delight.

So he took his wings, and fled;
Then the morn blushed rosy red.
I dried my tears, and armed my fears
With ten thousand shields and spears.

Soon my Angel came again;
I was armed, he came in vain;
For the time of youth was fled,
And grey hairs were on my head.

Wednesday, February 15, 2006

Borges

Sólo una cosa no hay. Es el olvido
Dios que salva el metal salva escoria
y cifra en Su profética memoria
las lunas que serán y las que han sido.

Ya todo esta. Los miles de reflejos
que entre los dos crepúsculos del día
tu rostro fue dejando en los espejos
y los que ira dejando todavía.

y todo es una parte del diverso
cristal de esa memoria, el universo;
no tienen fin sus arduos corredores

y las puertas se cierra tu paso;
sólo del otro lado del ocaso
verás los Arquetipos y Esplendores.

Jorge Luís Borges

Friday, February 10, 2006

Descobri e aconselho...

...o prefácio de Fernando Namora ao seu romance A Casa da Malta. Excelente para aqueles que se interessam pelo Neo-realismo.

Monday, January 30, 2006

Ainda estes rapazes...



Depois de muitas audições os Arcade Fire soam ainda melhor, começo a conhecer as canções aos primeiros acordes e a criar com elas uma saborosa familiaridade. Deixo aqui um excerto da letra de Cars and Telephones, uma das minhas preferidas, se puderem ouçam-na que realmente é brilhante.

"...Cause I like cars more than telephones

Your voice in my ear makes me feel so alone

Tonight I'm gonna drive

The silver moon is shining bright

Over the interstate

God saying hurry don't be late

Soon the sun will rise

That's when the romance dies

And I'm just tired of running around..."

Wednesday, January 25, 2006

Delícia

Delícia é o bolo de chocolate que a minha Cristina fez para mim. Deve ter molhado lá o dedo para ter ficado tão doce.

Thursday, January 19, 2006

Realidade ou Ficção? I



Ciência

Filha de Pavlov salva cães

Valentina Yermakova, filha do investigador soviético Iván Pavlov (1846-1937), dedica a sua vida a salvar cães e outros animais abandonados, um acto de penitência pelos sacrifícios animais praticados pelo seu pai em prol da ciência, levando à descoberta dos "reflexos de Pavlov". "Em criança não percebia porque todos os meses desapareciam os cachorros que viviam em nossa casa", disse. "Quando descobri, renunciei à minha carreira de actriz e dediquei-me a salvar os animais." Na sua casa, a 40 quilómetros de Sampetersburgo, alberga 60 cães, 40 gatos e mais de 20 aves.

Thursday, December 15, 2005


Será legítimo matar quem matou?
É certo que poucas vezes nos orgulhamos de ser portugueses, e é verdade que temos poucos motivos para isso, uma dessas poucas razões é termos sido o primeiro país europeu a abolir a pena de morte. Falo da pena de morte porque os Estados Unidos, mais concretamente o Estado da Califórnia e o seu governador- o Exterminador Implacável, assassinaram na madrugada de quarta-feira Stanley Tookie Williams. Tookie foi condenado à morte no ano em que nasci- 1981, ausado de matar 4 pessoas. Desde então remetido às 4 paredes da sua cela de 3 metros quadrados, Tookie, sempre reclamando a sua inocência, esperou pacientemente que o governo do seu estado o matasse. A pena de prisão serviu para que Tookie se redimisse, passou de líder de um violento gang de Los Angeles a militante anti-violência. De criminoso a várias vezes nomeado para o Nobel da Paz. Esta metamorfose vem descrita no livro que escreveu (entre muitos outros, costuma-se dizer que quem é preso escreve um livro...) com o sugestivo título de Redemption. Se aconteceu com Tookie, porque não há-de acontecer com outros? Que legitimidade tem o Estado, que repudia o assassinato, de matar?
Ouço muitas vezes as pessoas gritarem a sua indignação contra assassinos, pedófilos e outros criminosos, e interrogarem-se como seria o nosso país com a pena de morte. A resposta é bem simples: um país menos civilizado. Um país que não dá a quem erra a hipótese, o direito de se redimir. E isso mete medo.

Friday, December 09, 2005

Arcade Fire


Eis o que tenho andado a ouvir. O albúm Funeral dos canadianos Arcade Fire. Um grande albúm com belíssimas canções das quais destaco Wake Up.
Não se pode classificar o som deles como convencional, muito longe disso, e é também aí que ganha pontos. É aceitando e compreendendo a sua originalidade que se começa a aceder a este albúm que, como diria Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se". A música dos Arcade Fire faz vibrar qualquer coisa cá dentro por isso lembra-me a primeira vez que ouvi OK Computer dos Radiohead, o do Jorge Palma ou o velho albúm em vinil Absolutely Live dos The Doors.
Também me agradou a grafismo retro a que recorrem tanto nas fotos do albúm como no site. Ouçam, vejam o site e ofereçam como prenda de Natal se quiserem fazer alguém feliz.

Wednesday, November 09, 2005


é só para partilhar com vocês esta foto q tirei este Verão na Salvada (concelho de Beja) essa bela localidade. Não se percebe muito bem mas sou eu e o Jorge Palma e lá atrás em segundo plano o Vicente Palma, o filho.
Foi uma noite fixe porque falei com o Jorge um bocado, tirei uma foto e fiquei com um autografo, mas o concerto deixou um bocado a desejar mais uma vez por causa dos excessos etílicos. Ainda assim, não deixei de me arrepiar inúmeras vezes como quando abriu com O Meu Amor Existe ou se sentou ao piano para cantar Estrela do Mar.
Enfim, está partilhado.

Saturday, October 08, 2005

um texto de "o vermelho no escuro"

Vêm ao longe
as ressonâncias

Abrem-se fendas
na pedra dos ossos
que estalam
em gemidos plangentes.

A carne
estremece
em crateras de dor.

A alma
foragida
procura o reencontro com o útero.

O caminho
sem caminho
o caminho procura

A loucura
enxameia
em ondas de espuma viscosa de azeviche
a existência singular.


A vida
faz-se
de sangue vermelho.

De negro
se faz
o poema.

António Ricardo Mira

Poema embriagado

Bebo
Bebo sem medo
A alma no copo
A alma do corpo

Bebo sem medo
Do ridículo
Vinículo

E encontro-me no espelho outra vez
E saúdo alguém que não quero ser
E o álcool diz que eu não sou aquilo
Por isso traz-me prazer


8/10/05

Thursday, September 15, 2005

Memória Recuperada

Águas fétidas sepultam exércitos de eras distantes.
As armas brilham como peixes carnívoros.
Dentes afiados que apodrecem.
Não sopra o vento, mas se soprasse seria o cheiro da morte,
Do sepulcro vandalizado pelo tempo.

Pontes inacabadas e suspensas por fios invisíveis.
“A luz não é real” – disse alguém imerso na escuridão, olhos vazios.
“As criaturas rastejantes são desagradáveis à vista, mas agradáveis ao tacto”.
Toquei-lhe na anca e a morte sorriu.


2004