Thursday, June 07, 2007
Monday, April 23, 2007
E quando eu estava descansadinho da vida...
Thursday, April 12, 2007
Já que falo em Zach Snyder...
PS- Para o Pinto: ainda não vi o Laberinto del Fauno mas conheço o trailer e o realizador Guillermo del Toro de outros filmes como Hellboy e o excelente El Espinazo del Diablo do qual me parece reter muitas ideias para o seu filme mais recente. Já agora, uma novidade (ou não): Zach Snyder está também neste momento ligado à pré-produção daquela que é considerada por muitos uma das melhores Graphic Novels de sempre: Watchmen.
Wednesday, April 04, 2007
300 de Zach Snyder
Vejam o trailer:
Thursday, March 01, 2007
Intervention
Continuam grandes... Arcade Fire a tocar o primeiro single Intervention do novo album Neon Bible no Saturday Night Live.
Monday, February 26, 2007
Inveja também é Medo 4

Wednesday, January 03, 2007
E a melhor prenda de Natal foi:

Shaun of the Dead. Uma comédia romântica com... zombies! Shaun tem que reconquistar a namorada, visitar a mãe, e superar as dificuldades da idade adulta no mesmo dia e já agora conseguir escapar às hordas de zombies que infestam as ruas de Londres. Um dia todas as comédias românticas serão assim... A tradução do título na tradução portuguesa é que é absolutamente patética : "Zombies party, uma noite de zombies". Primeiro porque "zombie" teria que levar apóstrofo seguido de "s" para fazer o possessivo de "party". Segundo porque a maior parte da acção do filme desenrola-se durante o dia. O que me leva a dizer que o título português está errado tanto na forma como no conteúdo. Ainda por cima perde-se o trocadilho com o clássico Dawn of the Dead do George A. Romero ou com o remake mais recente de Zack Snyder. Mas o conteúdo é absolutamente genial e hilariante.
Obrigado Cristina!!
New Year Resolution: Criar o maior arquivo de filmes de zombies do país!!! Por isso se tiver filmes de zombie em VHS, DVD ou em qualquer outro suporte entre em contacto comigo.
Filme de zombie no chão... não! Coloque-os na minha colecção!
Tuesday, December 26, 2006
Hey Earl!

Agora tenho andado numa de televisão. Eu e a Cristina fomos convidados para uma conversa no âmbito de um estudo de mercado e foi porreiro ver alguém ligado aos media interessar-se por aquilo de que as pessoas gostam e não gostam. Foi fixe e também rendeu 35 euros em compras no Modelo o que parecendo que não... facilita.
Mas queria-vos falar de My Name is Earl a sitcom mais hilariante desde Seinfeld que descobri quase por acaso. O Jason Lee na foto é espectacular, divertido, consegue criar uma personagem com a qual estabelecemos imediata empatia. O seu irmão Randy, a ex-mulher Joy, Darnell aka Crabman e Catalina a empregada de motel mexicana completam o ramalhete com uma mistura de outras personagens loucas. Vale a pena verem aos domingos à noite na Fox (Começou na :2 mas foi abortada) ou então vejam aqui mas não digam a ninguém!
Monday, December 18, 2006
E se me perguntassem agora mesmo:
Obrigado Sofia Copolla.
Wednesday, December 13, 2006
Recomendo com um atraso de 5 anos...
Monday, November 27, 2006
Phillip Noiret 1930-2006

A falta de tempo com que tenho andado nestes dias quase me fez passar ao lado da morte de um dos actores pelo qual nutria maior carinho: Phillip Noiret que guardarei na minha memória como o Pablo Neruda explicando pacientemente ao seu carteiro o que são metáforas mas sobretudo pelo Alfredo de Cinema Paraíso. Quem gosta verdadeiramente de cinema e não adora Cinema Paraíso é porque ainda não viu e o melhor é não perder mais tempo. Quem já viu... é sempre boa altura para rever e celebrar este poema de amor ao cinema em forma de filme e já agora recordar Alfredo e Toto.
O Perfume

Lá fui ver O Perfume... e este post poderia ficar por aqui. O romance de Patrick Süskind é verdadeiramente genial, um daqueles livros de que não abdico ter na minha biblioteca (ainda para mais oferecido pela minha Cris) mas o filme é muito fraquinho. A polémica estala quase sempre que se adapta uma obra literária ao cinema mas esta versão sofre muito por temer a reacção dos leitores que devoraram desde há muitos anos o romance. Por o texto ser tão bom o filme é demasiado preso ao romance e é aí que quanto a mim falha estrondosamente. Algumas ideias bem filmadas, como a orgia coreografada pelos La Fura del Baus e uma fotografia demasiado barroca vão ficar na memória como testemunho de um filme que prometia muito muito mais. Tudo porque alguém não se lembrou que é preciso recorrer a outra linguagem e isto não é o mesmo que passar um texto de inglês para português. Fraquinho!
Wednesday, October 04, 2006
É hoje o grande dia

Tuesday, September 19, 2006
Há trailers que me dão uma vontade de ir ao cinema...
como o de The Fountain de Darren Aronofsky. Se o filme conseguir o mesmo efeito que o trailer consegue, com uma banda sonora perfeitamente à altura, com uma fotografia tão bem conseguida, vai ser um caso sério. Enquanto não podemos ver o filme, aconselho outro grande filme deste realizador (e para ser franco o único que conheço dele) Requiem for a Dream.
Thursday, August 24, 2006
Aforismo
Wednesday, August 23, 2006

Imagens negativas ferem-me os olhos
No instante em que os fecho e esfrego
Tudo muda
Só o sei quando os torno a abrir
Imagem mil vezes pior que a face sombria da Senhora Morte
A minha nespereira cheia de frutos
Só existe já na minha memória
Agora, apenas corpos desfigurados pendem dos seus ramos
Corvos e pássaros que não conheço alimentam-se
dos olhos, dos narizes, dos ouvidos, dos dedos
E eu choro
Enquanto os corvos não bebem ainda as minhas lágrimas
E comem a sua fonte.
Thursday, August 03, 2006
Estupidez...
Friday, July 21, 2006

Passaram no último dia 3 de Julho 35 anos da morte de James Morrison, carismático vocalista da banda the doors, poeta. Encontrado morto na banheira da sua casa de Paris entrou directamente no palácio dos mitos.
Wednesday, July 19, 2006
-fresco som que refresca o sentido-
abrigado sem ti
jogo com palavras frescas que me saem
dos lábios docemente
Saboreio a sombra da nespereira sem frutos,
sem flor, que carrega
só e pesadamente
o fardo do calor.
ao longe o fumo sai das chaminés das padarias
sei-lo mas não o vejo, sinto o cheiro do pão
neste lugar a que estou ligado pelo umbigo
adormeço e sinto dentro de mim o fruto amadurecer
e sonho que to dou e o partilhas comigo.
Thursday, July 06, 2006
Porque é que eu gosto de Banda Desenhada?

Saturday, June 24, 2006
A melhor coisa que já passou na televisão
Se ainda não ouviu falar de Lost (Perdidos) saia debaixo da pedra onde vive e tente comprar o dvd que foi hoje colocado no mercado pois é a única forma de conseguir seguir uma experiencia de televisão absolutamente única. A premissa pode nem entusiasmar: um grupo de pessoas numa ilha deserta, sobreviventes de um acidente aéreo, mas isto é apenas um pretexto para conhecermos mais profundamente personagens com as quais estabelecemos empatia imediatamente e uma história que é um verdadeiro mistério.
Outro mistério é o jogo que foi criado paralelamente na internet através do qual os fans podem descobrir pistas sobre a intriga. Deixo aqui este link para os estreantes:
Este é muito bom também (para seguidores) e tem mais alguns videos de orientação de outras estações da iniciativa dharma:
http://www.dharmatel.org/orientation.html
o site da responsável pela iniciativa dharma: a hanso foundation:
e os restantes tentem descobrir. Teorias, questões, estejam à vontade e usem os comentários... e sim, estou completamente obcecado!
Thursday, June 22, 2006
Arcade Fire no Conan
Descobri só agora como colocar videos através do you tube e para inaugurar esta funcionalidade do blog nada melhor do que esta actuação dos Arcade Fire no Late Night with Conan O'brien. Impressionante como fazem música com quase tudo o que têm à mão e como soam diferente de tudo o resto.
Wednesday, May 24, 2006
A Raíz da Pele
Guilherme de Melo
Thursday, May 11, 2006
Quero ver isto já

Já está disponível na internet há algum tempo o trailer do novo filme de Michael Night Shyamalan- Lady in the Water (vejam!!! é só clicarem na hiperligação). É um trailer absolutamente magnífico, e se o filme estiver à altura deste aperitivo será um belo filme. E o raio do trailer deixou-me mesmo muito ansioso. Parece que desta vez o argumento não terá nenhum dos twists habituais (e memoráveis, especialmente o de "Sixth Sense") e conta com Paul Giamatti (sideways) e Bryce Dallas Howard (The Village) nos principais papéis.
A ver, quanto mais não seja para confirmar o talento de Shyamalan para a escrita e realização.
Monday, May 01, 2006
E para acabar com os posts políticos...

Três Espadas libertam dos grilhões a prisioneira Europa, uma espada americana e uma espada britânica pelo oeste e do este uma espada soviética. Mas o pormenor mais delicioso é apenas observado depois de uma segunda ou terceira análise: o sangue ou ferrugem na ponta das espadas. A do Reino Unido ligeiramente suja, a dos Estados Unidos já muito conspuracada enquanto que imaculada surge á esquerda a da URSS. E há muitos mais exemplos, embora infelizmente não sejam muito fáceis de encontrar.
Mais um post político
Tuesday, April 25, 2006
Wednesday, April 12, 2006
Ontem vi:

Walk the Line
Tuesday, April 04, 2006
Ontem vi...

... e até me arrepiei.
é verdade que Alan Moore, o criador da BD é também responsável pelas graphic novels que dão origens a desastres como League of Extraordinary Gentlemen e From Hell.
adoro quando de uma boa banda desenhada fazem um bom filme!
Monday, March 20, 2006
Where My Books go
And all the words that I write,
Must spread out their wings untiring,
And never rest in their flight,
Till they come where your sad, sad heart is,
And sing to you in the night,
Beyond where the waters are moving,
Storm-darken'd or starry bright.
William Butler Yeats
Sunday, March 19, 2006
Blake outra vez
And that I was a maiden Queen
Guarded by an Angel mild:

Witless woe was ne'er beguiled!
And I wept both night and day,
And he wiped my tears away;
And I wept both day and night,
And hid from him my heart's delight.
So he took his wings, and fled;
Then the morn blushed rosy red.
I dried my tears, and armed my fears
With ten thousand shields and spears.
Soon my Angel came again;
I was armed, he came in vain;
For the time of youth was fled,
And grey hairs were on my head.
Wednesday, February 15, 2006
Borges
Dios que salva el metal salva escoria
y cifra en Su profética memoria
las lunas que serán y las que han sido.
Ya todo esta. Los miles de reflejos
que entre los dos crepúsculos del día
tu rostro fue dejando en los espejos
y los que ira dejando todavía.
y todo es una parte del diverso
cristal de esa memoria, el universo;
no tienen fin sus arduos corredores
y las puertas se cierra tu paso;
sólo del otro lado del ocaso
verás los Arquetipos y Esplendores.
Jorge Luís Borges
Friday, February 10, 2006
Descobri e aconselho...
Monday, January 30, 2006
Ainda estes rapazes...

Depois de muitas audições os Arcade Fire soam ainda melhor, começo a conhecer as canções aos primeiros acordes e a criar com elas uma saborosa familiaridade. Deixo aqui um excerto da letra de Cars and Telephones, uma das minhas preferidas, se puderem ouçam-na que realmente é brilhante.
"...Cause I like cars more than telephones
Your voice in my ear makes me feel so alone
Tonight I'm gonna drive
The silver moon is shining bright
Over the interstate
God saying hurry don't be late
Soon the sun will rise
That's when the romance dies
And I'm just tired of running around..."
Wednesday, January 25, 2006
Delícia
Thursday, January 19, 2006
Realidade ou Ficção? I
CiênciaFilha de Pavlov salva cães
Valentina Yermakova, filha do investigador soviético Iván Pavlov (1846-1937), dedica a sua vida a salvar cães e outros animais abandonados, um acto de penitência pelos sacrifícios animais praticados pelo seu pai em prol da ciência, levando à descoberta dos "reflexos de Pavlov". "Em criança não percebia porque todos os meses desapareciam os cachorros que viviam em nossa casa", disse. "Quando descobri, renunciei à minha carreira de actriz e dediquei-me a salvar os animais." Na sua casa, a 40 quilómetros de Sampetersburgo, alberga 60 cães, 40 gatos e mais de 20 aves.
Thursday, December 15, 2005

Friday, December 09, 2005
Arcade Fire

Eis o que tenho andado a ouvir. O albúm Funeral dos canadianos Arcade Fire. Um grande albúm com belíssimas canções das quais destaco Wake Up.
Wednesday, November 09, 2005

é só para partilhar com vocês esta foto q tirei este Verão na Salvada (concelho de Beja) essa bela localidade. Não se percebe muito bem mas sou eu e o Jorge Palma e lá atrás em segundo plano o Vicente Palma, o filho.
Saturday, October 08, 2005
um texto de "o vermelho no escuro"
as ressonâncias
Abrem-se fendas
na pedra dos ossos
que estalam
em gemidos plangentes.
A carne
estremece
em crateras de dor.
A alma
foragida
procura o reencontro com o útero.
O caminho
sem caminho
o caminho procura
A loucura
enxameia
em ondas de espuma viscosa de azeviche
a existência singular.
A vida
faz-se
de sangue vermelho.
De negro
se faz
o poema.
António Ricardo Mira
Poema embriagado
Bebo sem medo
A alma no copo
A alma do corpo
Bebo sem medo
Do ridículo
Vinículo
E encontro-me no espelho outra vez
E saúdo alguém que não quero ser
E o álcool diz que eu não sou aquilo
Por isso traz-me prazer
8/10/05
Thursday, September 15, 2005
Memória Recuperada
As armas brilham como peixes carnívoros.
Dentes afiados que apodrecem.
Não sopra o vento, mas se soprasse seria o cheiro da morte,
Do sepulcro vandalizado pelo tempo.
Pontes inacabadas e suspensas por fios invisíveis.
“A luz não é real” – disse alguém imerso na escuridão, olhos vazios.
“As criaturas rastejantes são desagradáveis à vista, mas agradáveis ao tacto”.
Toquei-lhe na anca e a morte sorriu.
2004
Friday, July 29, 2005
Para vos entreter nas férias:
inventa alguma paz interior
esconde essas sombras no teu olhar
tenta mexer-te com mais vigor
abre o teu saco de recordações
e guarda só o essencial
o mundo nunca deixou de mudar
mas lá no fundo é sempre igual
E agora, que a lua escureceue a guitarra se partiu
D. Quixote foi-se embora
com o amigo que a tudo assistiu
as cores do teu arco-íris
estão todas a desbotar
e o que te parecia uma bela sinfonia
é só mais uma banda a passar
A chuva encharcou-te os sapatos
e não sabes p'ra onde vais
tu desprezavas uma simples fatia
e o bolo inteiro era grande demais
agarras-te a mais uma cerveja
vazia como um fim de verão
perdeste a direcção de casa
com a tua sede de perfeição
Tens um peso enorme nos ombros
os braços que pareciam voar
tu continuas a falar de amor
mas qualquer coisa deixou de vibrar
os teus sonhos de infância já foram
velas brancas ao longo do rio
hoje não passam de farrapos
feitos de medo, solidão e frio
Jorge Palma
Friday, July 22, 2005
Ontem li: (do meu amigo poeta) II
Wind and water flowing outside,
Thoughts and pictures through an empty mind,
Myself and I alone tonight.
While every rime I make ends with an “I”…
A concept of modern poetry,
A new concept in quatrains,
Recalling myself of the great before me,
A new concept in an old portrait.
Words becoming verses
Verses becoming stanzas,
Leaving the quarter verse behind.
Seven:
Motion and stillness,
Action and routine,
Sound and silence,
Echoes…
Seven days a week
Twelve months a year,
All years in a lifetime!
Recalling myself of the great before me,
The ones that knew how to write,
The ones that were modern
Without living in these modern times.
I remember the days before the rain,
The moments, the hours and the time long gone,
While I listen to this song,
Of raindrops at my door.
All this and nothing,
Today,
On this rainy day,
Like any other!
N. J. Smith
Wednesday, July 13, 2005
Hoje sinto-me assim:
Monday, June 27, 2005
Ontem ouvi (ao vivo):
No teatro do teu olhar
No repetir do teu mostrar
Houve alguém que te conheceu
Monday, June 20, 2005
Ontem li: (do meu amigo Poeta)
Eram dias oblíquos numa vida estranha,
Foram dias crus nesta rotina mundana...
Desta vida guardei muito pouco,
Sou louco!
Mas de quando em vez esqueço-o
Absorto em normalidade,
Perdido em trivialidade,
O ser e o não ser
Em eterna contradição,
Perpétua convulsão...
Em mim!
A Incapacidade de agir,
Fadista da alma sem a saber cantar,
Criatura sem garra sem saber amar.
Cantor sem voz num mundo de palavras ocas...
Enquanto desfilam as outras,
Aquelas criaturas loucas,
Tão mais sanas do que eu,
Vendo-as passar ao sabor do tempo,
A idade marca a hora de tantas derrotas agudas,
Neste mundo de palavras mudas.
Poeta sem pena nem esperança!
Alguém que escreve
num papel a lembrança,
Do que foi sem nunca ter sido...
Poeta perdido!
Gabriel Gonçalves
Monday, June 13, 2005
Wednesday, June 01, 2005
Ontem li:
Escancarei, por minhas mãos raivosas,
As chagas que em meu peito floresciam.
Versos a escorrer sangue eis escorriam
Dessas chagas abertas como rosas…
Assim vos disse angústias pavorosas
Em versos que gritavam… ou sorriam.
Disse-as com tal ardor, que todos criam
Esse rol de misérias fabulosas!
Chegou a hora de cansar… cansei!
Sabei que as chagas todas que aureolei
São rosas de papel como as das feiras.
Que eu vivo a expor minh’alma nas estradas,
Com chagas inventadas retocadas…
Para esconder bem fundo as verdadeiras.
José Régio
Tuesday, May 24, 2005
A noite mais escura- a noite da traição
Um amigo que nos fere
É beber leite materno envenenado
É abraçar mil lâminas como a um irmão
É ver a máscara de ferro fundido cair com estrondo
e apertar no ponto mais frágil de um coração que baixou a guarda
É ouvir das Fúrias o grito derradeiro
É sentir a fragância putrefacta do caixão...
E desconfiamos das sombras familiares
E em sobresalto rejeitamos afecto
E acabamos frios como um rochedo
Sem que ninguém ouse chegar-se perto.
Thursday, May 19, 2005
Ontem li:

EU LUMINOSO NÃO SOU
Eu luminoso não sou. Nem sei que haja
Um poço mais remoto, e habitado
De cegas criaturas, de histórias e assombros.
Se, no fundo poço, que é o mundo
Secreto e intratável das águas interiores,
Uma roda de céu ondulando se alarga,
Digamos que é o mar: como o rápido canto
Ou apenas o eco, desenha no vazio irrespirável
O movimento de asas. O musgo é um silêncio,
E as cobras-d'água dobram rugas no céu,
Enquanto, devagar, as aves se recolhem.
José Saramago
Tuesday, May 17, 2005
Ontem li:
é mar que me acorda?
Pássaro ou rosa ou mar,
tudo é ardor, tudo é amor.
Acordar é ser rosa na rosa,
canto na ave, água no mar.
Eugénio de Andrade
Friday, April 29, 2005
Ontem li:
Poema: os jogos inocentes,
Invenções de menino aborrecido e só
A pena joga com as palavras ocas,
Atira-as ao ar a ver se ganha o jogo;
os dados caem: são o poema. Ganhou
Adolfo Casais Monteiro
Monday, April 11, 2005
Morre numa frágil prisão que é a sua própria pele
Envelhecida
Não pode confiar nas suas memórias
Pergunto-te:
“Qual a sensação de esperares por Ela?”
Responde-me com um olhar resignadoe manso
Que me faz chorar tristeza pura
(mais parece que se me derrete o olhar)
Surge um silêncio sem palavras
(quando se está só começamos a esquecê-las)
Um silêncio que me corta como mil lâminas
Quando numa vertigem vejo
Que sou eu quem não está preparado
Para o momento em que se liberte...
E é uma liberdade lenta e agoniosa!
Friday, April 01, 2005
...e pudesse eu pagar de outra forma...
Thursday, March 24, 2005

Indifference de Scott Barrow
Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos
de Eugénio de Andrade
Monday, March 21, 2005
Ontem li:
repetes as perguntas que te faço, porquê?, repetes
os olhares sem fim das coisas paradas, repetes o meu olhar.
espelho, és a parede e a pele cansada, és um silêncio a morrer à noite,
és o que ninguém quer, a verdade mais triste e cansada por dentro.
repetes as perguntas que te faço, porquê?, repetes
a desgraça, a miséria e o desespero.
espelho, quis conhecer-te e perdi-me de ti.
José Luís Peixoto
Tuesday, March 15, 2005
No salão todos param de conversar
Como se o ruído fosse uma ofensa
Embriagado pela atmosfera de perfumes sintéticos e irreais
Grito: “MORTE, MORRE!”
Se um instante durasse mais do que isso mesmo
Elegeria aquele como meu...
Até a cor dos cabelos é falsa
Enquanto ondulam ao dançar
Apetece-me vomitar
Mas não tenho mais no estomâgo do que vermes e terra...
Monday, March 07, 2005
Ontem ouvi...
Tuesday, February 22, 2005
Ontem li:
And I am black, but oh my soul is white!
White as an angel is the English child,
But I am black, as if bereaved of light.
My mother taught me underneath a tree,
And, sitting down before the heat of day,
She took me on her lap and kissed me,
And, pointed to the east, began to say:
"Look on the rising sun: there God does live,
And gives His light, and gives His heat away,
And flowers and trees and beasts and men receive
Comfort in morning, joy in the noonday.
"And we are put on earth a little space,
That we may learn to bear the beams of love
And these black bodies and this sunburnt face
Is but a cloud, and like a shady grove.
"For when our souls have learn'd the heat to bear,
The cloud will vanish, we shall hear His voice,
Saying, 'Come out from the grove, my love and care
And round my golden tent like lambs rejoice',"
Thus did my mother say, and kissed me;
And thus I say to little English boy.
When I from black and he from white cloud free,
And round the tent of God like lambs we joy
I'll shade him from the heat till he can bear
To lean in joy upon our Father's knee;
And then I'll stand and stroke his silver hair,
And be like him, and he will then love me.
Tuesday, February 15, 2005
Inveja também é Medo 1
O Homem, Conto de Sophia de Mello Breyner Andresen
Monday, February 14, 2005
Poema pouco original do medo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos
O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles
Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angústiados
Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos
Alexandre O'Neill
Ao LFCP
Pergunto ao meu avô:
“Onde está o tempo?”
Responde-me:
“O tempo que passou está na minha face, está nas minhas mãos...
O tempo que virá está nas tuas!”
Chorei, livre mas abandonado,
completamente entregue às lágrimas que sulcavam o meu rosto
Os meus gritos queriam dizer miséria e angústia nalguma língua desconhecida.
Senti-me prisioneiro nas paredes sujas da cidade,
Longe da minha aldeia,
menino assustado que acorda sobressaltado de um pesadelo.
Sem saber porquê, vieram a meus olhos as imagens com as quais aprendi o que era a Morte:
A Morte no poço
A Morte na corda
A Morte na arma
A Morte no frasco de veneno
Esta é a Morte da Aldeia
Vejo-a nos olhos cheios de passado do meu avô...
Friday, February 11, 2005
American Poet

AWAKE
Shake dreams from your hair
My pretty child, my sweet one.
Choose the day and choose the sign of your day
The day's divinity
First thing you see.
A vast radiant beach in a cool jeweled moon
Couples naked race down by its quiet side
And we laugh like soft, mad children
Smug in the woolly cotton brains of infancy.
The music and voices are all around us.
Choose, they croon, the Ancient Ones
The time has come again.
Choose now, they croon,
Beneath the moon
Beside an ancient lake.
Enter again the sweet forest,
Enter the hot dream,
Come with us,
Everything is broken up and dances.
by Jim Morrison
Thursday, February 10, 2005
Balada de um Estranho
Sentes-te estranho
Tens as mãos húmidas e frias
Tentas lembrar-te de algum pesadelo
Mas o esforço é em vão
Parec-te ouvir passos dentro de casa
Mas não sabes de quem são
Deixas o quarto
E vais à sala espreitar atrás do sofá
Mas aí tu já suspeitas que os fantasmas não estão lá
Vais à janela e ao olhares para fora
Sentes que perdeste o teu centro
E de repente descobres
Que chegou a hora de olhares para dentro
Porque há qualquer coisa que não bate certo
Qualquer coisa que deixaste para trás em aberto
Qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu
E não podes deixar de sentir que o culpado és tu
Vês o teu nome escrito num envelope
Que rasgas nervosamente
Tu já tinhas lido essa carta antecipadamente
E os teus olhos ignoram as letras
E fixam as entrelinhas
E exclamas: "Mas afinal... estas palavras são minhas!"
O caminho para trás está vedado
E tens um muro à tua frente
E quando olhas para os lados vês a mobília indiferente
E abandonas essa casa
Onde sentiste o chão a fugir
Arquitectas outra morada,
Mas sabes que estás a mentir
Porque há qualquer coisa que não bate certo
Qualquer coisa que deixaste para trás em aberto
Qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu
E não podes deixar de sentir que o culpado és tu
Jorge Palma, Balada de um Estranho
Wednesday, February 09, 2005
Luz medo
Aparições das coisas como foram e como serão
Seres de duas faces, encriptadas em línguas mortas
Alucino
Dentes velhos, avançam para mim- não distingo sangue de ferrugem...
Sempre os mesmos dentes para os quais não há antídoto
Medo é veneno. Veneno é medo.
Vejo
Fogem de mim como ameaçadas pelo sol
que inrrompe pela cave.
O medo não se esconde na sombra,
Esconde-se na luz!
Wednesday, February 02, 2005
Vestígios
Al Berto

cavalos de fogo
libertam o sol
na aragem
que os abraça carinhosamente
fazendo a luz ténue
que lhes deu vida
chorar as sombras
que teimam em fugir
NOX metaforaimagista.blogspot.com
Não resisti a tamanha cumplicidade entre Perfeição e Simplicidade deste poema de Nox.
Tuesday, February 01, 2005
Exercício de Memória
Que levam a lugar nenhum e espalham a sombra pela terra morta
As águas sepultam exércitos de outra era e soltam o odor intoxicante da morte
Estou preso no sonho
"Vem para dentro da sombra" sussuram-me
"As criaturas da escuridão são horríveis à vista mas agradáveis ao tacto"
Toquei-lhe na anca e a Morte sorriu.
Neruda/Comércio de palavras
Pablo Neruda
"... Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ... Amo tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem ... Vocábulos amados ... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho ... Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as... Deixo-as como estalactites no meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda... Tudo está na palavra... Uma ideia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu ... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que, se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes ... São antiquíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas Américas encrespadas, buscando batatas, botifarras, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca mais se viu no mundo... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras. "






