Monday, March 20, 2006

Where My Books go

All the words that I utter,
And all the words that I write,
Must spread out their wings untiring,
And never rest in their flight,

Till they come where your sad, sad heart is,
And sing to you in the night,
Beyond where the waters are moving,
Storm-darken'd or starry bright.

William Butler Yeats

Sunday, March 19, 2006

Blake outra vez

The Angel
I dreamt a dream! What can it mean?
And that I was a maiden Queen
Guarded by an Angel mild:

Witless woe was ne'er beguiled!

And I wept both night and day,
And he wiped my tears away;
And I wept both day and night,
And hid from him my heart's delight.

So he took his wings, and fled;
Then the morn blushed rosy red.
I dried my tears, and armed my fears
With ten thousand shields and spears.

Soon my Angel came again;
I was armed, he came in vain;
For the time of youth was fled,
And grey hairs were on my head.

Wednesday, February 15, 2006

Borges

Sólo una cosa no hay. Es el olvido
Dios que salva el metal salva escoria
y cifra en Su profética memoria
las lunas que serán y las que han sido.

Ya todo esta. Los miles de reflejos
que entre los dos crepúsculos del día
tu rostro fue dejando en los espejos
y los que ira dejando todavía.

y todo es una parte del diverso
cristal de esa memoria, el universo;
no tienen fin sus arduos corredores

y las puertas se cierra tu paso;
sólo del otro lado del ocaso
verás los Arquetipos y Esplendores.

Jorge Luís Borges

Friday, February 10, 2006

Descobri e aconselho...

...o prefácio de Fernando Namora ao seu romance A Casa da Malta. Excelente para aqueles que se interessam pelo Neo-realismo.

Monday, January 30, 2006

Ainda estes rapazes...



Depois de muitas audições os Arcade Fire soam ainda melhor, começo a conhecer as canções aos primeiros acordes e a criar com elas uma saborosa familiaridade. Deixo aqui um excerto da letra de Cars and Telephones, uma das minhas preferidas, se puderem ouçam-na que realmente é brilhante.

"...Cause I like cars more than telephones

Your voice in my ear makes me feel so alone

Tonight I'm gonna drive

The silver moon is shining bright

Over the interstate

God saying hurry don't be late

Soon the sun will rise

That's when the romance dies

And I'm just tired of running around..."

Wednesday, January 25, 2006

Delícia

Delícia é o bolo de chocolate que a minha Cristina fez para mim. Deve ter molhado lá o dedo para ter ficado tão doce.

Thursday, January 19, 2006

Realidade ou Ficção? I



Ciência

Filha de Pavlov salva cães

Valentina Yermakova, filha do investigador soviético Iván Pavlov (1846-1937), dedica a sua vida a salvar cães e outros animais abandonados, um acto de penitência pelos sacrifícios animais praticados pelo seu pai em prol da ciência, levando à descoberta dos "reflexos de Pavlov". "Em criança não percebia porque todos os meses desapareciam os cachorros que viviam em nossa casa", disse. "Quando descobri, renunciei à minha carreira de actriz e dediquei-me a salvar os animais." Na sua casa, a 40 quilómetros de Sampetersburgo, alberga 60 cães, 40 gatos e mais de 20 aves.

Thursday, December 15, 2005


Será legítimo matar quem matou?
É certo que poucas vezes nos orgulhamos de ser portugueses, e é verdade que temos poucos motivos para isso, uma dessas poucas razões é termos sido o primeiro país europeu a abolir a pena de morte. Falo da pena de morte porque os Estados Unidos, mais concretamente o Estado da Califórnia e o seu governador- o Exterminador Implacável, assassinaram na madrugada de quarta-feira Stanley Tookie Williams. Tookie foi condenado à morte no ano em que nasci- 1981, ausado de matar 4 pessoas. Desde então remetido às 4 paredes da sua cela de 3 metros quadrados, Tookie, sempre reclamando a sua inocência, esperou pacientemente que o governo do seu estado o matasse. A pena de prisão serviu para que Tookie se redimisse, passou de líder de um violento gang de Los Angeles a militante anti-violência. De criminoso a várias vezes nomeado para o Nobel da Paz. Esta metamorfose vem descrita no livro que escreveu (entre muitos outros, costuma-se dizer que quem é preso escreve um livro...) com o sugestivo título de Redemption. Se aconteceu com Tookie, porque não há-de acontecer com outros? Que legitimidade tem o Estado, que repudia o assassinato, de matar?
Ouço muitas vezes as pessoas gritarem a sua indignação contra assassinos, pedófilos e outros criminosos, e interrogarem-se como seria o nosso país com a pena de morte. A resposta é bem simples: um país menos civilizado. Um país que não dá a quem erra a hipótese, o direito de se redimir. E isso mete medo.

Friday, December 09, 2005

Arcade Fire


Eis o que tenho andado a ouvir. O albúm Funeral dos canadianos Arcade Fire. Um grande albúm com belíssimas canções das quais destaco Wake Up.
Não se pode classificar o som deles como convencional, muito longe disso, e é também aí que ganha pontos. É aceitando e compreendendo a sua originalidade que se começa a aceder a este albúm que, como diria Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se". A música dos Arcade Fire faz vibrar qualquer coisa cá dentro por isso lembra-me a primeira vez que ouvi OK Computer dos Radiohead, o Só do Jorge Palma ou o velho albúm em vinil Absolutely Live dos The Doors.
Também me agradou a grafismo retro a que recorrem tanto nas fotos do albúm como no site. Ouçam, vejam o site e ofereçam como prenda de Natal se quiserem fazer alguém feliz.

Wednesday, November 09, 2005


é só para partilhar com vocês esta foto q tirei este Verão na Salvada (concelho de Beja) essa bela localidade. Não se percebe muito bem mas sou eu e o Jorge Palma e lá atrás em segundo plano o Vicente Palma, o filho.
Foi uma noite fixe porque falei com o Jorge um bocado, tirei uma foto e fiquei com um autografo, mas o concerto deixou um bocado a desejar mais uma vez por causa dos excessos etílicos. Ainda assim, não deixei de me arrepiar inúmeras vezes como quando abriu com O Meu Amor Existe ou se sentou ao piano para cantar Estrela do Mar.
Enfim, está partilhado.

Saturday, October 08, 2005

um texto de "o vermelho no escuro"

Vêm ao longe
as ressonâncias

Abrem-se fendas
na pedra dos ossos
que estalam
em gemidos plangentes.

A carne
estremece
em crateras de dor.

A alma
foragida
procura o reencontro com o útero.

O caminho
sem caminho
o caminho procura

A loucura
enxameia
em ondas de espuma viscosa de azeviche
a existência singular.


A vida
faz-se
de sangue vermelho.

De negro
se faz
o poema.

António Ricardo Mira

Poema embriagado

Bebo
Bebo sem medo
A alma no copo
A alma do corpo

Bebo sem medo
Do ridículo
Vinículo

E encontro-me no espelho outra vez
E saúdo alguém que não quero ser
E o álcool diz que eu não sou aquilo
Por isso traz-me prazer


8/10/05

Thursday, September 15, 2005

Memória Recuperada

Águas fétidas sepultam exércitos de eras distantes.
As armas brilham como peixes carnívoros.
Dentes afiados que apodrecem.
Não sopra o vento, mas se soprasse seria o cheiro da morte,
Do sepulcro vandalizado pelo tempo.

Pontes inacabadas e suspensas por fios invisíveis.
“A luz não é real” – disse alguém imerso na escuridão, olhos vazios.
“As criaturas rastejantes são desagradáveis à vista, mas agradáveis ao tacto”.
Toquei-lhe na anca e a morte sorriu.


2004

Friday, July 29, 2005

Para vos entreter nas férias:

Acende mais um cigarro, irmão
inventa alguma paz interior
esconde essas sombras no teu olhar
tenta mexer-te com mais vigor

abre o teu saco de recordações
e guarda só o essencial
o mundo nunca deixou de mudar
mas lá no fundo é sempre igual

E agora, que a lua escureceue a guitarra se partiu
D. Quixote foi-se embora
com o amigo que a tudo assistiu
as cores do teu arco-íris
estão todas a desbotar
e o que te parecia uma bela sinfonia
é só mais uma banda a passar

A chuva encharcou-te os sapatos
e não sabes p'ra onde vais
tu desprezavas uma simples fatia
e o bolo inteiro era grande demais
agarras-te a mais uma cerveja
vazia como um fim de verão
perdeste a direcção de casa
com a tua sede de perfeição

Tens um peso enorme nos ombros
os braços que pareciam voar
tu continuas a falar de amor
mas qualquer coisa deixou de vibrar
os teus sonhos de infância já foram
velas brancas ao longo do rio
hoje não passam de farrapos
feitos de medo, solidão e frio

Jorge Palma

Apesar do tom pessimista, para mim é uma canção feel-good, como muitas do Jorge Palma. Vou ouvir isto muitas vezes estas férias. Adeus e até ao meu regresso!

Friday, July 22, 2005

Ontem li: (do meu amigo poeta) II

Rainy Day Like Any Other

Wind and water flowing outside,
Thoughts and pictures through an empty mind,
Myself and I alone tonight.
While every rime I make ends with an “I”…

A concept of modern poetry,
A new concept in quatrains,
Recalling myself of the great before me,
A new concept in an old portrait.

Words becoming verses
Verses becoming stanzas,
Leaving the quarter verse behind.

Seven:

Motion and stillness,
Action and routine,
Sound and silence,
Echoes…

Seven days a week
Twelve months a year,
All years in a lifetime!

Recalling myself of the great before me,
The ones that knew how to write,
The ones that were modern
Without living in these modern times.

I remember the days before the rain,
The moments, the hours and the time long gone,
While I listen to this song,
Of raindrops at my door.

All this and nothing,
Today,
On this rainy day,
Like any other!


N. J. Smith

Wednesday, July 13, 2005

Hoje sinto-me assim:

"No calor da febre que me alaga toda a fronte
Sinto o gume frio da navalha até ao osso
Sinto o cão da morte a bafejar no meu pescoço
E a luz do sol a fraquejar no horizonte
Já desfila trémulo o cortejo do passado
Que me deixa quedo, surdo e mudo de pesar
Vejo o meu desgosto na beleza do teu rosto
Sinto o teu desprezo como um dardo envenenado (...)
Sopra forte o vento na fogueira que arde em mim
Sinto a selva agreste nos batuques do meu peito
No cruel caminho em que me lança o desespero
Sinto o gelo quente do inferno do meu fim..."
Adolfo Luxúria Canibal

Monday, June 27, 2005

Ontem ouvi (ao vivo):

Adormecido
No cenário da tua vida
aclamas noites alucinantes
de gentes estonteantes
que são tanto como tu

No teatro do teu olhar
há quem note que a coragem
não passa de uma miragem
com preguiça de gritar

No repetir do teu mostrar
inventas-te uma história
que em ti não há memória
porque sabes que não é tua...

Houve alguém que te conheceu
Que te faz tremer ao passar
porque nunca a deixaste de amar...
Continuas a ensaiar
a conveniência do sorriso
o planear do improviso
que te faz sentir maior
no artifício dos teus gestos
pensas abraçar o mundo
quando nem por um segundo
te abraças a ti mesmo
e assim vais vivendo
e assim vais andando aí
e assim vais perdendo em ti
tudo aquilo que nunca foste...
Houve alguém que te conheceu
Que te faz tremer ao passar
porque nunca a deixas-te de amar
Quando um dia acordares
numa noite sem mentira
e te vires onde não estás
vais querer voltar para trás.
Toranja, Esquissos

Monday, June 20, 2005

Ontem li: (do meu amigo Poeta)

Simposium De Mim

Eram dias oblíquos numa vida estranha,
Foram dias crus nesta rotina mundana...
Desta vida guardei muito pouco,
Sou louco!

Mas de quando em vez esqueço-o
Absorto em normalidade,
Perdido em trivialidade,
O ser e o não ser
Em eterna contradição,
Perpétua convulsão...

Em mim!

A Incapacidade de agir,
Fadista da alma sem a saber cantar,
Criatura sem garra sem saber amar.
Cantor sem voz num mundo de palavras ocas...

Enquanto desfilam as outras,
Aquelas criaturas loucas,
Tão mais sanas do que eu,
Vendo-as passar ao sabor do tempo,
A idade marca a hora de tantas derrotas agudas,
Neste mundo de palavras mudas.

Poeta sem pena nem esperança!

Alguém que escreve
num papel a lembrança,
Do que foi sem nunca ter sido...

Poeta perdido!




Gabriel Gonçalves

Monday, June 13, 2005

Eugénio de Andrade 1923-2005


Os elementos irão agora receber quem melhor os cantou. Eugénio é agora rosa na rosa, canto na ave e água no mar. A sua poesia irá manter-se como chama acesa da sua memória.

Wednesday, June 01, 2005

Ontem li:

Demasiado Humano

Escancarei, por minhas mãos raivosas,
As chagas que em meu peito floresciam.
Versos a escorrer sangue eis escorriam
Dessas chagas abertas como rosas…

Assim vos disse angústias pavorosas
Em versos que gritavam… ou sorriam.
Disse-as com tal ardor, que todos criam
Esse rol de misérias fabulosas!

Chegou a hora de cansar… cansei!
Sabei que as chagas todas que aureolei
São rosas de papel como as das feiras.

Que eu vivo a expor minh’alma nas estradas,
Com chagas inventadas retocadas…
Para esconder bem fundo as verdadeiras.

José Régio