Wednesday, March 12, 2008

Re: Profissões Anacrónicas

Fui este fim de semana a Évora e passeava eu pela praça do Giraldo quando me lembrei deste post do amigo Pinto. Lembro-me de, em miúdo e mesmo ainda há bem pouco tempo, me passear por esta praça e ver, encostados a um dos muitos arcos, engraxadores. Mas este fim de semana, olhei em volta e não vejo nenhum.


A explicação:












Em plena Praça do Giraldo, junto à pastelaria, está este estafermo. Bem pode engraxar os sapatos mas não responde aos comentários sobre o tempo, a quem diz mal do governo ou a quem queira falar da bola. Ele há cada uma...

Monday, March 03, 2008

Sweeney Todd


Fui ver este fim de semana o último filme de Tim Burton -Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street. Não era grande fã de musicais mas ultimamente têm-me caído no goto, e quanto mais bizarros melhor. Foi assim com Rocky Horror Picture Show e também foi assim agora. O Johnny Depp e a Helena Bonham Carter fazem o par mais freak que já se viu nos ecrãs de cinema bem secundados por um alucinado Sacha Baron Cohen. Um bom filme visualmente pujante e bem conseguido e com músicas que ficam no ouvido como compete a um bom musical. Uma advertência aos mais impressionáveis: há muito sangue a esguichar das gargantas, não são os rubis que Todd promete às navalhas numa das músicas.


Uma agradável surpresa foi ouvir hoje no caminho para casa, na Antena 2, algumas canções da banda sonora. Verdadeiro serviço público numa rádio que costumo ouvir 1 hora por ano.

Só neste país é que se diz: "só neste país"


Louçã acusa escola de querer usar críticas a mudanças como critério de avaliação de professores
29.02.2008 - 12h52 Lusa, PÚBLICO
Um agrupamento escolar em Leiria está a usar como critério na avaliação dos seus professores o facto de verbalizarem a insatisfação face a mudanças no sistema educativo, denunciou hoje o líder do Bloco de Esquerda.“Verbaliza a sua insatisfação/ satisfação face a mudanças ocorridas no Sistema Educativo/ na Escola através de críticas destrutivas potenciadoras de instabilidade no seio dos seus pares” é um dos indicadores incluídos no critério da “dimensão ética” para a avaliação dos professores no agrupamento escolar Correia Mateus, em Leiria, segundo Francisco Louçã.Louçã mostrou a ficha de avaliação em causa no debate quinzenal com o primeiro-ministro no Parlamento, acusando a presidente do conselho executivo do agrupamento escolar de agir como “zelote do Partido Socialista em Leiria”.“Veja tão baixo que chega esta opção do Governo (...) O senhor primeiro-ministro incendeia as escolas. O grande problema nas escolas é o combate ao insucesso escolar e não a avaliação”, defendeu.Ficha era proposta que foi recusadaNa resposta, o primeiro-ministro admitiu que aquele critério não devia ser usado, frisando que a responsabilidade não foi do Governo nem do Ministério, e assegurou que iria chamar a escola à atenção.“Se houve uma escola que disse exactamente como o senhor disse, essa escola agiu mal e naturalmente que o Ministério de Educação, que não é responsável por isso, naquilo que é o trabalho que está a desenvolver com as escolas e os conselhos directivos, vai chamar a atenção para esse ponto”, afirmou José Sócrates.O primeiro-ministro acusou o líder do Bloco de Esquerda de usar um caso concreto para “generalizar e denegrir” todo o sistema de avaliação de professores.Entretanto, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, explicou que a ficha apresentada por Louçã era uma proposta do Conselho Directivo da escola ao Conselho Pedagógico, onde chumbou. “Por isso essa ficha nunca será aplicada”, disse a ministra.


Eu só queria acrescentar que, ao contrário do que a senhora ministra diz, a proposta não foi chumbada. Até porque de acordo com o próprio ME, a mesma só irá a votação a 12 de Março. Podem ver aqui.
PS: Reparem bem no olhar da morte da sra. ministra. Ainda bem que não sou professor (ou melhor, esta senhora não me considera como tal), apenas licenciado em Ensino, porque senão estava, nesta altura, a tremer de medo.

Thursday, February 28, 2008

Piada... vá lá... estúpida

O Sr. Edward Bulwer-Lytton quando, em 1839, disse: The pen is mightier than the sword ou A pena é mais poderosa que a espada, já devia estar à espera que um dia nascesse Joe Pesci para lhe dar razão.

Monday, February 25, 2008

Curioso...

Os Oscars para actores foram todos para Europeus:

Melhor Actor: Daniel Day-Lewis (There Will Be Blood), Inglês (nomeado pela quarta vez e vencedor pela segunda)

Melhor Actriz: Marion Cotillard (La Môme/La Vie en Rose), Francesa

Melhor Actor Secundário: Javier Barden (No Country for Old Men), Espanhol, vence o Oscar após a segunda nomeação.

Melhor Actriz Secundária: Tilda Swinton (Michael Clayton), Inglesa.

Nas restantes categorias principais destaque para No Country for Old Men dos irmãos Coen que vencem na categoria de melhor filme, realizador e argumento adaptado.

Thursday, February 21, 2008

Tom Petty

Este tipo é um dos mais injustiçados músicos americanos. Em Portugal não tem o reconhecimento que merece. Há duas ou três músicas que passam na rádio e deixam-se muitas outras longe do grande público. De acordo com Charles Aznavour, Petty já não se pode queixar, é que ouvi Aznavour numa entrevista dizer que acredita que um músico pode dar-se por feliz se as pessoas se lembrarem de duas músicas dele. Descobri Tom Petty mais a sério no filme Elizabethtown de Cameron Crowe e nunca mais parei de ir ouvindo. Durante esta semana numa sessão de formação, um formando perguntou-me se conhecia esta música:
Aos primeiros acordes não me lembrei muito bem, mas com a letra comecei a recordar este video um tanto bizarro com a Kim Basinger que tive o prazer de redescobrir. O que acho incrível é ele fazer esta música e este video e não soar lamechas. Pelo contrário, chega a ser divertido.
Os britânicos revelaram numa sondagem aquilo que eu já suspeitava: os Oasis continuam a ser um fenómeno no Reino Unido apesar de há muito não editarem um album de estúdio. Eu até simpatizo com os irmãos Gallagher, se calhar não ao ponto de indicar o álbum Definitely Maybe como o melhor de sempre. Gosto especialmente deste Sunday Morning Call. Cristina, era desta que estava a falar.



Os Oasis arrebatam também o segundo lugar na votação com (What's the Story) Morning Glory.

De acordo com este inquérito, o terceiro lugar cabe a OK Computer dos Radiohead, este sim, na minha opinião, o melhor disco de sempre. Para justificar esta opinião, deixo aqui Paranoid Android. Esta faixa é puro génio, nunca tinha ouvido nada assim nem voltei a ouvir.

Thursday, January 31, 2008

Don't Shoot Me Santa

O que era eu sem o You Tube?
Um indivíduo com muito tempo livre por ocupar.
Passado mais de um mês do Natal descobri esta fantástica canção da época.
Apreciem-na fora de tempo. Estes são os The Killers e são uma das minhas bandas favoritas do momento.

Tuesday, January 22, 2008

Notícias quem ninguém gosta de ouvir


Morreu Heath Ledger, ele que desempenhou uma das personagens que mais me marcaram na história do cinema - o Ennis Del Mar de Brokeback Mountain. Tinha só 28 anos e deixa muitos filmes por fazer. Já era um actor fantástico com uma carreira recheada de uns bons filmes. O último que rodou (completo) será The Dark Knight a sequela de Batman Begins que tem estado a gerar muita expectativa.

Que descanse em paz!

As distribuidoras, a pirataria e as nomeações para os Oscars

Há uma coisa que me tem chateado na distribuição dos filmes que têm estreado em Portugal nos últimos tempos. As distribuidoras queixam-se da pirataria, que as salas de cinemas estão cada vez mais desertas, o bla bla bla do costume. Agora digo eu:
Há meses que se fala dos filmes que acabaram por ser nomeados para os oscares. Atonement, Juno, Michael Clayton, No Country for Old Men e There Will Be Blood. Fala-se... mas não se podem ver. As distribuidoras, espertalhonas, sabem que à partida estes são filmes pequenos, não são tão lucrativos como os grandes blockbusters de verão, por isso o que é que fazem? Esperam pela época de prémios, especialmente pelas nomeações para os oscars, e com a publicidade garantida pelos galardões fazem-nos estrear. Ora com que é que um verdadeiro cinéfilo, mesmo daqueles que abominam os downloads ilegais, fica com vontade de fazer? Sacá-los da internet ou comprá-los na candoga. E o pior é que andamos a papar com semanas em que só estreia porcaria e sem um filme de jeito para podermos ver no cinema e agora apanhamos uma overdose. A culpa por vezes vem dos EUA. Quanto mais tarde lançarem os filmes, mais frescos eles ficam na memória dos membros da Academia e outros júris. Mas isso não justifica que, por exemplo, Juno que estreou nos EUA em Dezembro ainda não tenha data de estreia. Michael Clayton que estreou nos EUA em Outubro, só estreia cá em Fevereiro. No Country for Old Men estreou lá em Novembro e cá só estreia no fim de Fevereiro. De entre os nomeados a melhor filme, falta aquele que aguardo com mais ansiedade: There Will Be Blood de PT Anderson. Este escapa e estreia a horas decentes, poucas semanas depois da estreia internacional. O problema, como já disse, nem é só das distribuidoras nacionais, mas fico chateado, pois com certeza.

Monday, January 21, 2008

Jeffrey Eugenides


Estou nestes dias a acabar de ler o segundo romance de Jeffrey Eugenides - Middlesex. Depois do grande prazer que me deu ler As Virgens Suicidas esperava que o seu segundo romance não desiludisse. No entanto, a verdade é que Middlesex é ainda superior. Eugenides escreve um romance belíssimo que atravessa algumas décadas do século XX americano para descrever a história de um gene que se manifesta num(a) herói(na) improvável - Calliope. Fala também de algo que sempre me fascinou: a forma como imigrantes de várias proveniências se juntam no tal "caldeirão" de culturas e se diluem na grande América. Numa América que já foi tolerante e integradora e que deixou de o ser. Quanto a mim, o romance vale sobretudo pelo à vontade com que Eugenides volta a deambular pelos terrenos sempre pantanosos da adolescência com a mesma segurança com que nos contou a trágica história das irmãs Lisbon. Recomendo entusiasticamente.

Wednesday, January 16, 2008

Guilty Pleasures*

*ou coisas estranhas que tenho no meu leitor de mp3

Gosto da expressão "guilty pleasures". Exprime muito bem o sentimento de culpa que às vezes sentimos quando gostamos de algo que sabemos que é, no mínimo, estranho e não tem nada a ver com as nossas preferências.
É engraçado e humilhante para mim olhar para a lista de músicas do meu leitor de mp3 que me acompanha nas viagens grandes que faço todos os dias e admitir que tenho lá :
Styx- Mr. Roboto "a bohemian rapsody futurista"
Lynyrd Skynyrd- Free Bird para a minha faceta redneck. Mas na verdade gosto mesmo disto.
e a pièce de résistance:
Baltimora- Tarzan Boy Devo ser a primeira pessoa no século XXI a admitir que gosta de ouvir esta música. Mas a verdade é que me divirto a cantar isto no carro. Mas estejam descansados que ando quase sempre por estradas secundárias e com os vidros do carro fechados.

Monday, January 14, 2008


Primeiramente o som.
Tendões, tecidos, ossos partidos
que partem outros ossos,
O ar, cortado pelo corpo do cordeiro morto
Sons que me ensurdecem por um segundo expectante.

Num torpor, saio de mim
e com olhos alheios assisto a tudo.
O latir aflito do animal a ser castigado,
não o ouço, não me rasga por dentro,
não me obriga a cerrar os olhos.

Com uma mão, como divindade punitiva,
puxa o culpado para fora do seu tugúrio
Com a outra, agitando o cordeiro como raio de fúria fulminante,
castiga o cão.
Não o ouço a insultar o animal nem adivinho o som da sua aflição.
Ouvirei nos meus sonhos?



(imagem: Cronos, devorando um dos seus filhos de Goya)



Monday, January 07, 2008

Sonhei?
Não sei...
Andava com pés maiores que os meus
Por uma terra estranha
Mundo invertido
De pontes suspensas por fios de aranhas há muito tecidos
Resistentes e semi-vísiveis

Um clarão verde vindo da água
Ilumina a terra escura
Esmeralda! como nos livros de pequeno.

Tambores de guerra submersos em lágrimas
Ecoam no horizonte da minha visão.
Tento segurar esta imagem mas foge-me da mão
E desperto vazio.

Sunday, December 23, 2007

Lição

Aprendi na última sexta feira uma grande lição: ser solidário não tem nada a ver com a quantia de dinheiro de que estamos dispostos a prescindir para ajudar os outros. Visitei um centro de acolhimento temporário para crianças e houve vários meninos que me mostraram que a sua felicidade se faz mais com colo, carinhos e abraços do que com todos os brinquedos de todos os Pais Natal do mundo. Obrigado à Cátia, à Margarida, à Camila e ao João e a todos os outros por esta lição. E eu, que não me comovo por "dá cá aquela palha", tive que morder os lábios com força para me despedir destes meninos. A eles e a quem trabalha com eles no Centro de Acolhimento Temporário A Buganvília para que possam ter um presente e um futuro risonho, os meus votos de Feliz Natal e de um Próspero Ano Novo.

Monday, December 17, 2007

Tempo de Festa

Toda a gente já gozou com o meu apelido, e toda a gente esboça um riso de gozo quando o ouve pela primeira vez: Rabino... não é que eu tenha alguma coisa contra os Judeus, pelo contrário, respeito a sua herança cultural e admiro a sua perseverança até porque o mais certo é eu ter também algum sangue desse povo. Por isso, e como andamos todos a festejar o Natal com todas as cantiguinhas de Natal, aqui fica um cantiga de Hannukah que por acaso acabou dia 12 de Dezembro ao pôr do sol.



Depois de um poema belíssimo de Miguel Torga tinha que vir uma parvoice qualquer...

Monday, December 10, 2007

Medida

Um poema de Miguel Torga que é uma lição de vida:


Medida


Jogo contra o destino.

Cada minuto, cada desafio.

Livre neste baldio

Da liberdade humana.

Arrisco a consciência dos meus actos

Na roleta da sorte.

O triunfo e a derrota não me importam.

Nenhum triunfo vale o sol que o doira,

E nenhuma derrota o é na morte

Que temos certa.

Quero apenas fazer a descoberta

Do que posso e não posso,

Sem poder nada.

Aprendo a conhecer o meu tamanho

Pela maneira como perco ou ganho.

Monday, December 03, 2007

Tom Waits


Não podem ser só os formandos a aprenderem e a descobrirem coisas comigo. Desta vez, e com a devida vénia ao Rui que me tem arranjado sempre os Footbal Managers, devo agradecer ao Carlos por isto:

Friday, November 23, 2007

Later with Jools Holland

Os Ingleses têm uma instituição magnífica que se chama Later with Jools Holland. Este programa de televisão assenta numa premissa tão simples quanto eficaz: Levar bandas e artistas a apresentarem algumas músicas ao vivo e "sem rede". A fórmula tem tanto sucesso que o programa conta com grande longevidade, começou em 1992 e por aí continuou a apresentar grandes músicos ao vivo. Na minha opinião é ao vivo que se separam os Homens dos rapazes, e a banda deste video inclui-se claramente no primeiro grupo.
Muse - Knights of Cydonia


Apresento-vos Simon Pegg

Para quem não conhece Simon Pegg escolhi alguns sketches de Big Train, uma série Britânica que por cá passou na Sic Radical. O pior foi escolher, foi impossível escolher só um...
O primeiro é para quem conhece bem o clássico "The Birds"
e este: Join the Army, now:
E ainda aqui está outro para quem não sabe falar inglês:

e é isto, parece que ultimamente só tenho colocado videos no blog, mas a verdade é que ando sem tempo nem disposição para outra coisa. Se não fosse chegar a casa e ver um filme ou uma boa série andava ainda pior do que ando. Onteontem ao final do dia dei por mim a tentar abrir um carro que não era o meu: nem o mesmo modelo, nem a mesma marca nem a mesma cor. Só falta um mês para descansar...